terça-feira, 30 de janeiro de 2018

DESEJO

DESEJO
Por Celso Neto

Desejo ser muito velhinho
E comemorar o centenário com três copos de vinho…

Não me é indiferente que a minha vida
Seja curta ou comprida…
Gosto muito de viver
E dos meus amigos nenhum me veio dizer
Como é a vida depois de morrer…

Fala-se para aí num Jesus Cristo
Que depois de morrer também nunca mais foi visto…
Dizem que ressuscitou ao terceiro dia
E que incarnou da Virgem Maria
Que salvou a honra do esposo José
Com os Santos mistérios da Fé…
Concebendo sem dar à luz
Um lindo menino chamado Jesus!

Gostava de ficar cá para semente
Mesmo admitindo que haverá melhor, certamente…
Cada um pede para si
E eu gosto muito de andar por aqui!
(Embora não goste de andar por aí)

Cem anos era um bom começo
Para uma longa vida que eu penso que mereço…
(Mereceria… talvez esteja melhor dito
Pois é a Morte que tem o apito
E quando é chegada a hora
Temos mesmo que ir embora!)



INVESTIGUE-SE!

INVESTIGUE-SE!
Por Celso Neto

Investigue-se tudo e todos sem exceção
Seja “ave” de cidade ou aldeão…
Investigue-se o advogado, o padre e o juiz
O artista, o caixeiro e a meretriz …
Investigue-se o presidente, o ministro e o assessor
A enfermeira, o maquinista e o professor…
Investigue-se o jornalista, o médico e o empresário
Investigue-se o silêncio, se for necessário
Investigue-se o patrão, o empregado e o delegado sindical
Investigue-se as novelas, os documentários e o telejornal…
Investigue-se os subsídios e os programas
Vire-se o País de pantanas…
Investigue-se políticos com ou sem cartão dourado
Investigue-se tudo o que já foi investigado…
Investigue-se o futebol, os dirigentes e a arbitragem
O dinheiro que voou e os responsáveis pela pilhagem…
Investigue-se o compadrio e as fugas de informação
Que permitem que um comentador faça “adivinhação”…
Investigue-se a cor das cuecas do António Costa
É destas fofoquices que o Povinho gosta!
Investigue-se se Centeno foi ver o Benfica
Ou pedir ao Filipe Vieira um lugar na equipa…
Investigue-se o pobre que comeu batatas fritas e bife
E o remediado que foi de férias para o Recife…
Investigue-se tudo o que (vos) vier à ideia
Mas…metam os ladrões e os corruptos na cadeia!

Investigue-se, já! Ponha-se tudo a olho nu!
Mas (por favor) não investiguem o olho do cu!
(É no olho do cu que está o mistério
…mas isso precisava de uma investigação a sério!)


segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

OS MEUS TEMPOS DE CRIANÇA

OS MEUS TEMPOS DE CRIANÇA
Por Celso Neto

Quando penso nos meus dias de criança
E a espuma daqueles tempos me vem à lembrança
Um sentimento de tristeza apodera-se de mim…
Não encontro justificação para a vida dessa época ser assim!
Tanta repressão, tanta pobreza e tanta miséria
A bater à porta de gente trabalhadora e séria
Só podia ser obra de ditadores dementes
Agarrados ao poder com unhas e dentes
Cuja doutrina, ainda hoje tem alguns descendentes…

A direita intolerante que nessa altura nos governava
Se tivesse vergonha, hoje “falava muito bem calada”!
Mas, pelo contrário, passa a vida a caluniar e a denegrir Portugal
Para ela, mesmo o que está bem… está sempre mal!
O “pão” que não lhe deixaram meter na boca
Querem-no agora em dobro, para migar bem a sopa!
(Pela minha parte tinha muito que esperar
Mas o povo esquece rápido e vai deixá-la voltar…)

Felizmente que a Revolução dos cravos
Não calou a voz a esses e a outros “diabos”
Mas é preciso estar vigilante
Para que a ditadura não mais se levante!
Estar atento ao que fazem e ao que dizem
Para que os ideais totalitários não se concretizem!
E tiranos mentecaptos não mais se entronizem!

Nesses tempos, sem Escola, sem Liberdade e sem Saúde
O aspeto das pessoas era rude
Sem vontade e sem ambição e sem sonho
O seu semblante era tristonho
Vestiam de forma modesta e austera
Quase igual no verão, outono, inverno ou primavera!

Descalços com uma saca dobrada pela cabeça e sem farnel
A vida escolar das crianças era muito cruel…
Chovia pancadaria de toda a espécie e em qualquer lado
Quando o aproveitamento escolar não era o desejado…
Quando se erravam as contas e se davam erros no ditado!

Apetece-me chorar quando me lembro dos tempos da minha primeira  escola
Para onde ia alimentado, agasalhado e com os livros na sacola
Quando comparo aqueles tempos com os de agora
Não compreendo porque os alunos não estudam e vão embora…

Peço aos pais e aos alunos empenho e sensatez
Aos professores e também a eles um tratamento cortês…
Cada um no seu lugar e cada um na sua vez!

As crianças e os jovens são a esperança, merecem tudo
Mas não podem ir à Escola só para terem um “canudo”

Que linda é a Escola hoje, das crianças, dos jovens e dos adultos!



quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

CABRAS SAPADORAS

CABRAS SAPADORAS
Por Celso Neto


Que nome havemos de chamar às cabras, para que elas (tal como os bombeiros, e bem!) não se sintam ofendidas.
Com os ajustes diretos a fazerem cada vez mais parte do nosso quotidiano, talvez fosse bom que esta questão das “cabras sapadoras” fosse objeto de um concurso público, para se escolher um nome adequado para os animais (bodes incluídos), que têm como principal missão evitar catástrofes idênticas às que aconteceram no ano transato.
Confesso que a designação não me arrepia, mas a avaliar pelos testemunhos que tenho lido, de pessoas ligadas aos bombeiros, admito que se possam sentir melindrados.
Eu, que não tenho nenhum tipo de interesses relacionados com madeira, aviões, produtos consumíveis de uso e combate a incêndios, indústria de transformação automóvel e tudo o que se possa imaginar relativamente incêndios florestais, preferia ver os bombeiros a fazer outro tipo de ações, diversas das que hoje fazem e deixar de ver as florestas a arder!
Não me parece impossível separar as zonas florestais das áreas de cultivo e sou de opinião que em algumas zonas, a única coisa boa que se pode fazer é lançar-lhe o fogo, devidamente controlado.
Prefiro mil vezes comer um cabritinho serrano assado do que ouvir as sirenes dos bombeiros a caminho de um incêndio florestal.
Que venham lá as cabras e os bodes! Chamem-lhe o que quiserem.

Com as cabras e os bodes a pastar
E os bombeiros e as bombeiras a apagar
Diga-me lá quem souber

O que é que Jaime Marta Soares quer?

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

SOMOS CADA VEZ MENOS


SOMOS CADA VEZ MENOS
Por Celso Neto

Será que os governantes não conseguem compreender
O grave problema de haver
Cada vez menos bebés a nascer?
Com a hipocrisia habitual
Os políticos fingem que isso é normal
Vergados ao peso do capital…
Consideram que os velhos e as crianças
São um pesado encargo para as finanças
Que dificultam o “encher as panças”!
Na sua lógica produtiva de riqueza
Tem que haver pobreza
E pouca gente à mesa!
As máquinas e o capital acumulado
Garantem-lhe um oásis em qualquer lado
Num condomínio fechado!

Dizem os atuais “donos” da Economia
Que falar de natalidade é demagogia…
Para que são precisas mais pessoas
Se existem em Portugal tantas coisas boas?

Temos que enfrentá-los… ir à luta

Vencer, pela razão, os filhos da MÃE!

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

NOSSA SENHORA DOS ASSÉDIOS

NOSSA SENHORA DOS ASSÉDIOS
Por Celso Neto

Mostrai-nos os bons caminhos
Protegei-nos do assédio que nos causam os “peitinhos”
E dos mamilos empinados, sem mais nada
Por debaixo da camisola molhada!
Ajuda-nos a analisar aquele decote estudado
Para mostrar as maminhas, mas só de lado!

Rogai por nós em qualquer lugar
“Castigai-nos” com as malícias de um longo olhar
Permiti que os lábios frescos e sensuais
Se movimentam, se entreabram… e coisas mais!
Ensina-nos a lidar com os rabinhos torneados na perfeição
Que são flechas apontadas ao nosso coração
Protegei a beleza, a elegância e o porte
Daquelas mulheres “de morte”
Que nos poem a cabeça num turbilhão
E que “só olhar para elas” nos provoca uma ereção!

Fazei com que os corpinhos esbeltos com tudo no lugar
Nos continuem a “massacrar”
Mesmo se as sereias desnudadas sobre as rochas
Tiverem que “vestir” umas galochas…
Permiti que nos dias em que não há vendaval
Possamos ver muito “fio dental”
Só coberto com uma tirinha de pano
Mesmo nos dias frios do ano!

Ajudai-nos a compreender aquele olhar penetrante
Aquele remexer no cabelo provocante!
Permiti que ouçamos a linguagem picante quanto baste
Sem que a líbido de nós se afaste!
Deixai-nos respirar os odores e o perfume
Que transformam o desejo em lume!
Brindai-nos com o cruzar de pernas elegante e atrevido
Que as põe ao leu e o “resto” escondido!

Protegei quem nos abraça e se “aparafusa”
E nos segreda que o beijo já não se usa
Quem nos aperta a mão quase até ferir
E quem nos põe os neurónios a bulir…
Esclarece-nos sobre as donzelas que falam de sexo a toda a hora
Devemos “explorar” ou virar costas e ir embora?
O que havemos de fazer com as que não usam roupa interior
E se espreguiçam e afastam as “caminhantes” cheias de calor?
E com as que convidam para um jantarinho
E depois aparecem só com um “trapinho”?
E com as que nos tocam muito quando falam para nós

E com as que languidamente nos olham e arrastam a voz?

domingo, 21 de janeiro de 2018

DESABAFOS DE MARIA

DESABAFOS DE MARIA
Por Celso Neto

Na rua dizem-me que sou boa como o milho
Nas entrevistas “exploram-me de fio a pavio”
Querem saber tudo acerca de mim
E enquanto eu falo só dizem sim! sim!
Nos castings põem a mão
E dizem: - perdão!
No mundo das cantigas e da música
Dizem-me que devo ser mais lúdica e menos púdica
Nos testes para monitora e para chief
Dizem-me que ou… ou estou feita ao bife…
Quando me sujeito a qualquer teste
Há sempre um lobo que a pele de cordeiro veste…
Nos períodos experimentais
Cada dia… mais e mais?!

Continuo no desemprego
Mas não tenho medo!
Só me entrego a quem quero…
Que isto acabe, é o que eu espero!

Claro que há “assediadas” com grande imaginação
Que agora se queixam, mas não disseram não!