segunda-feira, 28 de junho de 2010

… a arder em lume brando!

Apesar das declarações do próprio que até parece que apontam noutra direcção, para mim é um dado adquirido que foi Mário Soares quem atirou Fernando Nobre para a fogueira das presidenciais… Também não tenho muitas dúvidas que se trata de uma vingançazinha de mau gosto, para com Alegre, que como se sabe partiu os rins todinhos a Mário Soares, nas últimas presidenciais, mesmo tendo este o apoio do PS. Parece-me feio, Mário Soares não assumir publicamente o seu apoio a Fernando Nobre, em vez de continuar a assobiar para o lado, quando o questionam sobre este assunto… Para mim isto chama-se hipocrisia!
Esta insensatez de Soares querer protagonizar uma candidatura presidencial depois de ter sido “frito” por José Sócrates, que quis demonstrar-lhe o seu “peso eleitoral, para se ver definitivamente livre dele, só passa mesmo pela cabeça de alguém que se considera iluminatti…
Com ou sem apoio de Soares, Fernando Nobre não tem qualquer hipótese de vir a ser eleito Presidente nas próximas eleições… Já tive oportunidade de dizer antes e repito, que quem mete Fernando Nobre nesta embrulhada até pode fazê-lo com a melhor das intenções, mas acaba por prejudica-lo na sua vida profissional e política… Fernando Nobre, pelo seu humanismo e sensibilidade para as grandes questões da actualidade, merecia melhor do que ver-se envolvido numa luta de galos, em que está derrotado antes do apito para o inicio do jogo…
Sempre me habituei a ler a sociedade no universo do desporto e penso que não andarei longe da verdade se disser que Fernando Nobre se assemelha ao Benfica dos últimos anos: era sempre um sério candidato ao título, mas nunca ganhava! Só ganhou quando teve à sua disponibilidade os meios necessários para ganhar, sendo certo que o que se passava dentro das quatro linhas era apenas uma parte da solução do problema…
A honestidade e a integridade de Fernando Nobre até podem fazer dele um candidato ao título, mas a análise do contexto transforma-o num candidato sem qualquer hipótese de vencer e, sendo assim, foi de muito mau gosto a “partida” que lhe fizeram… Presumo que ninguém o “obrigou” a aceitar e, como tal, parte da responsabilidade é também sua, ao ficar ligado a uma derrota estrondosa, que, evidentemente, prejudica o seu futuro político.
Há coisas que não se fazem aos amigos!
É tempo de Mário Soares perceber que o seu tempo de ribalta já terminou… Se insistir em se recusar a admitir que vivemos noutro tempo com outros protagonistas, corre o risco de ter que sair pela porta dos anexos, para uma rua estreita onde já muitos o esperam, para esfregarem as “mãozinhas” de contentes!
Conhecendo a grandeza de Fernando Nobre, estou certo que ele saberá dar a volta ao texto e sair pela porta grande.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Venham de lá esses Mandamentos…

1º Adorar a Deus e amá-lo sobre todas as coisas;
2º Não invocar o santo nome de Deus em vão;
3º Santificar os Domingos e festas de guarda;
4º Honrar pai e mãe;
5º Não matar;
6º Guardar castidade nas palavras e nas obras;
7º Não furtar;
8º Não levantar falsos testemunhos;
9º Guardar castidade nos pensamentos e nos desejos;
10º Não cobiçar as coisas alheias.

Quando relembro estes mandamentos, percebo melhor as preocupações da minha tia Belmira que me obrigava a “rezá-los” todos os dias…
No seu analfabetismo, também cristão, ela tinha como me disse várias vezes a preocupação de evitar que eu me tornasse um valdevinos… Ser um homem (a sério), dizia-me ela, isso era tarefa minha… (infelizmente para mim, não sei se cumpri os seus desejos, porque o seu conceito de Homem a sério era, evidentemente, diferente do dos nossos dias…
O motivo que inspirou esta minha breve crónica é o terceiro mandamento, que manda santificar os domingos e festas de guarda.
O conservadorismo, o analfabetismo, a tacanhez, a tecnocracia, a ganância, a miopia (entre outras”desqualidades”) que caracterizam uma boa parte do nosso mundo empresarial, levam a que hoje se considere que a nossa falta de produtividade se deve aos dias feriados que o nosso calendário manda respeitar.
Um empresário ou gestor que “desconhece” que permanência é uma coisa e trabalho é outra, não merece grande credibilidade… Os gestores públicos podem “disfarçar”, porque para “provar” as suas capacidades e receber chorudas recompensas basta aumentar o preço dos produtos ou serviços que gerem ou fazer”buracos financeiros”, mas os privados, que assim pensam, teriam muita dificuldade em passar num exame de acesso a “semimedíocres”!
A “batalha” da produtividade e da flexibilização das leis laborais é muito mais do que números estatísticos que são utilizados para tentar provar uma coisa e precisamente a contrária, se der jeito. As causas profundas têm a ver com o modelo social que queremos para Portugal. As respostas do Povo, em eleições, têm sido claras no que toca à rejeição das políticas que querem reduzir a vida a dinheiro…
Cá estaremos para resistir! Os mandamentos podem dar uma ajuda…mesmo para quem não se identifica com eles todos. Cada um eleja aquele(s) por que está disposto a lutar.

terça-feira, 22 de junho de 2010

(e)SCUTar o Povo...

As SCUT são neste momento um dos temas quentes… Se a selecção Nacional não tivesse ganho por 7-0, atrever-me-ia, mesmo, a dizer que seria o tema da actualidade.
Dos cerca de 1000 km de auto-estradas em regime SCUT (sem custos para os utilizadores) cerca de 55% situam-se no interior do País. O PS que tem vindo a fazer das SCUTs uma bandeira, desde o tempo de Guterres que as criou, na lógica de que elas atravessam concelhos cujo nível de desenvolvimento não justifica o seu pagamento pelos utilizadores. Pressionado pelo PP e pelo PSD que sempre foram contra elas, o actual Governo “cedeu” em considerar SCUT, auto-estradas situadas em zonas que “são tudo”, menos pobres…
Quem conhece as posições das cúpulas e barões do PSD sobre as SCUTs pasma de espanto com as palhaçadas de Rui Rio e outros autarcas do PSD, que na sua ânsia (não acompanhada por Passos Coelho, por “tremideira fraldesca”) de queimar o governo de Sócrates (não de governar!) já se esqueceram do que defendiam “ontem”… Do PP de Paulo Portas nem falo, porque como dizia o meu avó, mexer na porcaria só provoca mau cheiro,,,
Todos falam de SCUT , mas ninguém fala em (e)SCUTAR o povo, que sobre isso já se pronunciou nas sucessivas eleições. O que eu gostava de ver o PS fazer, era cumprir os seus compromissos eleitorais, que cada dia que passa são mais esquecidos…O PS tem que escutar o Povo que o elegeu e se tiver que “morrer”, que morra nos seu braços, porque mais vale “morrer” neles do que morrer desamparado…
Temos que abraçar CAUSAS e nunca os inimigos! A Democracia obriga-nos, e bem, a respeitar os adversários, mas para ser adversário é preciso cumprir as regras.
Estamos fartos de hipócritas (disfarçados de democratas) e de medrosos (disfarçados de valentes)!
Venham mais cinco!

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Adeus Saramago...

Saramago foi-se! Confesso que não me sinto muito avalizado para falar dele e da sua obra. Neste breve texto quero, essencialmente, verter que louvo e me vergo à importância da sua obra para a cultura portuguesa e, consequentemente para todos nós portugueses.
O facto de ter sido o único Português a ganhar um prémio Nobel da Literatura, obriga a que o consideremos um grande vulto da nossa cultura, que por razões óbvias, temos que estimar e respeitar, gostemos ou não da sua obra, da cor dos seus olhos ou da sua opção política...
O Estado Português, mesmo tratando-se de um “Comunista” que muitos eleitos e nomeados detestam, tem obrigações a que os seus representantes não podem virar as costas, sob pena de ser lícito pensar que o 25 de Abril já chegou, mas ainda não se instalou na cabeça de muito boa gente, com responsabilidade máxima.
O talento de Saramago, com base no que diz o “mundo” culto e civilizado acerca dele, é algo inquestionável. A grandeza da sua obra literária, também. O seu contributo para a divulgação e prestígio da Cultura Portuguesa é ímpar…
O comportamento de António Sousa Lara, em tempos de má memória, então sub-secretário de Estado da Cultura, já não era para mim, mais do que uma manifestação da sua tacanhez mesquinha e estava praticamente esquecido, porque, como sempre se disse “ vozes de burro não chegam ao Céu”.
O que eu não imaginava era que, na altura da sua morte, depois de ter feito o que fez pela Cultura Portuguesa, os Presidentes da República e da Assembleia da República se iam descartar da sua “obrigação” de estar presentes no seu funeral.
Sinto-me triste e envergonhado com estes nossos representantes! Gente assim, tem que escolher outra ocupação!
Espero que, pelo menos, se curvem perante a sua memória, que nunca pode ser confundida com a de “vulgares tecnocratas”.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

por falar em escola...

Não percebo a admiração de tanta gente, relativamente ao facilitismo que se instalou na escola e, obviamente, nos exames nacionais. Para mim a questão é simples: o capital precisa de robots, nunca de cidadãos inteligentes. No tempo de Salazar, muitas eram as “sumidades” que consideravam desnecessário frequentar a Escola ( e hoje ainda há defensores tese) mas com o avanço dos tempos a lógica é, necessariamente, outra : Há que salvar a face democrática (nem sempre limpa) e “garantir” a todos o acesso à escola, desde que não se puxe muito pelos alunos!
Seria vergonhoso, nos dias de hoje, negar a alguém o acesso à escola, mas isso tem que ser feito de forma a permitir que as “elites políticas e financeiras” sobrevivam e não sejam “ameaçadas pelos insultos radicais, quase sempre de esquerda, vindos de quem ainda se recusa a deixar de pensar…
Se alguém, alguma vez, se convenceu que os “donos” do mundo, senhores das armas, da guerra, da fome e da patente do dinheiro, estão dispostos a abrir mão dos seus inatos ou mal adquiridos privilégios, tire daí o sentido quanto antes… A única coisa que move a esmagadora maioria deles é a sofisticação dos métodos que lhes permita manter o seu domínio e alimentar o seu egoísmo. A escolarização das massas populares, faz com que a “barbárie” se atenue e permite que vivamos em maior segurança, mas convém não esquecer que o desespero bate cada vez mais à porta de maior número de pessoas e, assim, não há escolaridade que resista.
A Escola deve existir fundamentalmente para “cultivar” a inteligência de cidadãos a tempo inteiro. Contrariamente ao que hoje se passa devem ser os pais das criancinhas a pugnar para que os professores sejam exigentes para com os seus filhos e para que as Escolas de todos os níveis de ensino e as Universidades não sejam albergues de facilitismo.
Se assim não for, podemos ter uma “legião” de licenciados, mas continuarão a ser meros executores da vontade de quem o “pedigree” permite viver “à large”!
O grande erro do Povo é que quando se apanha com dez reis de sabedoria, quase sempre a coloca ao serviço de quem o engana… Às vezes chego a pensar que estamos geneticamente programados para sugar o sangue da manada, logo que pensamos que deixámos de fazer parte dela!
Não podemos permitir que a Escola se transforme num recreio. Amanhã pode ser tarde!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

PORTUGAL PAROU… PARA VER JOGAR A (à) PASSO (S)!

Portugal parou colado à televisão para tentar saborear uma vitória da selecção que ajudasse a melhorar a auto estima colectiva e nos fizesse esquecer por algum tempo as patifarias a que temos sido sujeitos nestes últimos tempos pelos políticos e pelos donos do dinheiro ( alguns deles políticos, digo eu)…
A frustração foi total porque aquilo que muitos consideravam “favas contadas” só não se transformou num pesadelo (da derrota) porque das portas do Céu, alguém esteve a vigiar… Portugal jogou a passo, sem chama, sem alma, sem velocidade, sem ambição, confuso, sem fio condutor, devagar devagarinho, prós lados e para trás, sem ritmo…
Bem pode Carlos Queiroz arranjar os argumentos que entender para justificar as suas opções de recrutamento, técnicas e tácticas e esmiuçar cientificamente as causas deste empate com a Costa do Marfim que, para mim, aquilo foi mau de mais para ser verdade e só a ele pode passar pela cabeça que Portugal dominou e merecia ganhar… (aquela história dos “desgraçadinhos” que tiveram que jogar contra a “prótese” do adversário que colocou em risco a sua integridade física, merecia uma tese de doutoramento)
Quem quer ganhar tem que perder o medo de perder e o que eu vi foi uma equipa medrosa, sem confiança, desajeitada, incapaz de construir jogo, falhando demasiado nos passes, incapaz de rematar com um mínimo de perigo… longe de ser uma equipa serena e coesa.
Faço sinceros votos para que esta equipa aprenda com os erros e no próximo jogo se transforme, porque se tal não acontecer podemos fazer as malas…
Num mero raciocínio académico que não pretende ser nenhum exercício intelectual (porque disso me impede alguma senilidade que começo a notar em mim) enquanto ia pasmando de espanto com a (não) exibição da equipa de todos nós, dei comigo a comparar o jogo com a actuação do líder do PSD, quando “liguei “ jogar a passo com o apelido Passos (também Coelho, que até tem a ver com veloz e que gosta de roer a erva, que é como quem diz, “comer a relva”)
A Selecção jogou a passo, em que o medo de perder suplantou a vontade de ganhar. Passos Coelho disfarça jogar ao ataque, mas a falta de coragem e o medo de governar, impedem-no de apresentar alternativas…
A Selecção jogou sem chama e sem alma, sempre com um pé no medo e outro na glória, incapaz de construir jogadas que abanassem a equipa contrária. Passos Coelho mantém um pé nas políticas do Governo e outro na Oposição, incapaz de fazer o que quer que seja, que “abane” a crise em que estamos mergulhados.
A Selecção jogou devagar devagarinho, para os lados e para trás. Passos Coelho, a passo de caracol, assobia para o lado a dizer que é líder do maior partido da oposição e refugia-se atrás do passado, para justificar a sua falta de coragem para assumir o presente e o futuro.
Alguns elementos da Selecção referiram a sorte, o árbitro e a FIFA (e não a equipa), como culpados pelo que aconteceu. Passos Coelho culpa o Governo por tudo o que de mal aconteceu e partilha com o PS algumas medidas, em nome de um patriotismo que se assemelha à falta de “chama” da selecção.
Para “desvalorizar” as fragilidades os porta-vozes da Selecção tentam fazer passar uma imagem de força e coesão da equipa. Passos Coelho tenta fazer passar a imagem de um PSD unido em torno do seu líder para disfarçar o “ninho de víboras” que hibernam no Partido, à espreita da hora de atacar. (que os portugueses conhecem bem).
A Selecção “rasgou” o favoritismo que lhe era atribuído, por falta de coragem de o assumir. Passos Coelho rasgou o compromisso eleitoral (como já outros o fizeram, é verdade!), mas pelo simples motivo de ter medo de ter que governar Portugal.
Depois deste jogo “A PASSO” e “ À PASSOS” a passagem à fase seguinte complicou-se… A política (com Passos) está mais empobrecida.
O seleccionador pôs o Deco, que gosta de jogar no centro, a jogar na direita e saiu mal. Passos quer pôr a “direita a jogar no centro” e é o que se vê!
Portugal é que paga! Louvado sejais, Senhor!

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Apupos a Sócrates

José Sócrates foi apupado em Faro à chegada à cerimónia das comemorações do Dia de Portugal.
Pertenço àquele reduzido número de portugueses que considera que as Forças Armadas, da forma como estão estruturadas, são uma “sanguessuga” dos nossos bolsos. Não concordo que se marche contra os canhões e acho que o Dia de Portugal devia estar muito acima daquela “militarice” toda. Mexem comigo algumas condecorações e indultos. Mas… uma coisa não posso deixar passar em claro: um momento daqueles não pode ser aproveitado para “cenas”que comprometem a solenidade da cerimónia e dão uma imagem pouco abonatória do nosso país (que não pode ser confundido com umas dezenas de arruaceiros).
José Sócrates, que critico bastante e de quem não sou grande admirador, pelo seu manifesto desrespeito pelos mais fracos (que quando votei nele, pensava que iria defender) fez e continua a fazer muitas coisas de que discordo completamente, mas esse facto não pode ser combatido em cerimónias solenes, que pretendem (não sei se o conseguem) que não esqueçamos a nossa memória colectiva e nos afirmemos perante o mundo (parte do qual nos está a ver).
Reconheço e admiro a resistência física e psicológica de José Sócrates bem como o seu esforço de fazer passar uma imagem de Portugal, alicerçada num optimismo nem sempre justificado e sensato. Com os seus defeitos e virtudes acho que não pode comparado com Passos Coelho ou Paulo Portas (catástrofes nacionais) e penso que se tivesse governado no tempo e no lugar de Cavaco Silva, Portugal hoje seria diferente, para melhor.
Muitos portugueses têm mil razões para não gostar de José Sócrates. Alguns, com quem falo, estão a descobrir, aos poucos, que o novo líder do PSD não tem arcaboiço para ser alternativa, porque lhe falta em coragem aquilo que lhe sobra em demagogia, ao querer estar com um pé no poder e outro na oposição. Outros não conseguem perdoar-lhe o que fez e pensam que um Governo do PSD ou do PSD/CDS será melhor… Outros defendem um governo de unidade da esquerda, mesmo sabendo que isso não vai ser possível enquanto reinar a mentalidade dos actuais líderes partidários. Há quem acredite em Paulo Portas (este facto merecia um estudo sociológico) e até já vi pobres a “pedir um Salazar”…Há quem considere (nos quais me incluo) que o PS precisa de um “safanão” renovar-se, deixar de assobiar para o lado, combater a corrupção e a injustiça social, através de medidas que a todos responsabilizem e valorizem o trabalho…
Todos nós temos (ou devíamos ter) uma “visão” para o país e criticar sem medo o que consideramos errado, mas há que saber estar e não escolher a Cerimónia do Dia de Portugal para apupar o primeiro-ministro, seja ele quem for, gostemos ou não dele e das suas políticas.
Em Democracia não faltam oportunidades, formas e lugares para manifestar o nosso descontentamento. Como o fizeram os “canalhas” em Faro, nunca!